O PODER DO SANGUE TROUXE PERDÃO

INTRODUÇÃO

“Nele temos a redenção por meio do seu sangue, o perdão das transgressões, de acordo com as riquezas de sua graça, a qual ele derramou sobre nós com toda sabedoria e todo entendimento.”
Efésios 1:7-8 NVI

Quando lemos a história no Antigo Testamento, nos deparamos com diversas alianças estabelecidas entre povos, entre os homens e Deus e também entre Deus e o homem, como no caso de Abraão. Essas alianças expressavam vínculos solenes e compromissos significativos que marcavam profundamente a relação entre as partes envolvidas.

Durante toda a quaresma, aprenderemos juntos sobre o poder do sangue de Jesus, o sangue que nos trouxe perdão. Por isso, é impossível falar sobre perdão sem falar sobre aliança. O perdão que recebemos está fundamentado em uma aliança estabelecida pelo próprio Deus.

A nova aliança foi firmada pelo sacrifício único e perfeito de Cristo. No Antigo Testamento, a aliança mosaica e os sacrifícios apontavam para algo que ainda estava por vir. Em Jesus, porém, vemos o cumprimento pleno desta promessa: o sacrifício completo e suficiente para o perdão definitivo do pecado.

Em Mateus 18, entre os versículos 21 e 35, aprendemos que fomos perdoados de uma dívida impagável. À luz dessa verdade, vamos refletir hoje sobre como o perdão que recebemos de Jesus transforma a nossa maneira de viver e impacta os nossos relacionamentos no dia a dia.

O poder do sangue trouxe, em Jesus, um perdão completo e eterno para você…

1- RECONHECER QUE É DEVEDOR INTEGRAL DA GRAÇA

“O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir.”
Mateus 18:27 NVI

Em Mateus 18, somos apresentados a um ensinamento profundo sobre o perdão, ministrado pelo próprio Jesus. Nessa parábola, encontramos a história de um servo que recebeu do rei o perdão de uma dívida que jamais teria condições de pagar. No entanto, logo depois de ser perdoado, ele se deparou com alguém que lhe devia uma quantia muito menor. Em vez de agir com a mesma misericórdia que havia recebido, exigiu o pagamento e não demonstrou compaixão. Essa atitude trouxe sérias consequências para ele.

Assim como esse servo, nós também tínhamos uma dívida com Deus que jamais poderíamos quitar. Ainda assim, fomos perdoados. O perdão que recebemos não nasceu da nossa capacidade de pagar, mas da compaixão e da graça de Deus.

Reconhecer que somos totalmente dependentes dessa graça nos conduz a um lugar de humildade, confiança, sujeição ao Pai e compaixão para com os que estão ao nosso redor.

Eu realmente reconheço que minha salvação é totalmente fruto da graça?
Minha vida demonstra gratidão por essa dívida cancelada?

O poder do sangue trouxe, em Jesus, um perdão completo e eterno para você…

2- VIVER EM HUMILDADE E DEPENDÊNCIA PELA REDENÇÃO RECEBIDA

“O servo prostrou-se diante dele e implorou: ‘Tem paciência comigo, e tudo te pagarei’.”
Mateus 18:26 NVI

Aqueles que foram perdoados e reconhecem que jamais poderiam quitar essa dívida por si mesmos compreendem que Deus é um Pai bondoso e que a graça que Ele nos oferece vai muito além do que merecíamos. Esse entendimento nos envolve em humildade e nos conduz a uma vida de dependência.

Não há espaço para orgulho quando entendemos que estávamos mortos em nossos pecados e que nada poderíamos fazer para mudar essa condição. Somente o sangue de Cristo poderia nos trazer vida abundante. O nosso perdão custou o sangue do Filho de Deus. Nós, que nada tínhamos a oferecer, recebemos tudo o que o Pai poderia nos dar: o seu próprio Filho.

Diante dessa realidade, a única resposta coerente é um coração humilde, grato e totalmente dependente de Deus.

Minha vida demonstra humildade ou ainda existe orgulho no meu coração?
O fato de Cristo ter pago minha dívida tem gerado verdadeira gratidão e dependência em mim?

O poder do sangue trouxe, em Jesus, um perdão completo e eterno para você…

3- TER AUTORIDADE PARA DECIDIR PERDOAR E AMAR

“Ele, porém, não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Então, o senhor chamou o servo e disse: ‘Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Não deveria você ter tido misericórdia do seu conservo, como eu tive de você?’.”
Mateus 18:30, 32-33

Como filhos amados de Deus, que receberam o perdão completo, também recebemos do alto autoridade e poder para liberar perdão àqueles que nos ofendem ao longo da jornada.

Fomos redimidos e perdoados das nossas ofensas contra Deus. Por isso, não existe ofensa que esteja acima do perdão que recebemos. Quando afirmamos que não conseguimos perdoar, precisamos lembrar que a base do nosso perdão não está na nossa força, mas na obra completa e poderosa de Jesus em nossa vida.

É verdade que, quando somos ofendidos, sentimos dor e podemos ser profundamente feridos. O perdão não ignora a dor, mas decide não permitir que ela governe o coração. Em Cristo, nada pode tirar de nós a escolha de perdoar. Quando nos recusamos a liberar perdão, acabamos nos prendendo a correntes das quais já havíamos sido libertos. Perdoar não significa negar a gravidade da ofensa nem eliminar a necessidade de limites ou justiça, mas significa não vivermos presos ao que nos machucou.

“O perdão é a chave que abre a porta do ressentimento e remove as algemas do ódio.”
Corrie ten Boom

Existe alguém que preciso decidir perdoar hoje?
Tenho usado a autoridade espiritual que recebi para amar e liberar graça?

CONCLUSÃO

“Permaneçam firmes na liberdade para a qual Cristo nos libertou e não se submetam novamente a um jugo de escravidão.”
Gálatas 5:1 NVI

Por causa do sacrifício de Jesus, recebemos um perdão completo e eterno. Esse perdão nos trouxe liberdade, e parte dessa liberdade é a possibilidade de viver a partir da graça. É essa graça que nos capacita a amar e a perdoar sem reservas. Não precisamos mais viver presos ao orgulho ou ao ressentimento.

Quem não perdoa não experimenta a verdadeira alegria. Já quem vive livre do ressentimento, ainda que sofra a dor das ofensas, não permanece aprisionado a ela. O Espírito Santo nos conduz pela graça e nos transforma dia após dia, tornando-nos cada vez mais parecidos com Cristo, que suportou o sofrimento da cruz, tendo em vista a alegria que lhe estava proposta.

Ele foi fiel até o fim por pessoas que não mereciam perdão. Se fomos alcançados por tamanha misericórdia, não há ninguém a quem não devamos estender esse mesmo olhar de graça, compaixão e amor.

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