A aliança envolve duas partes – Parte II

[social-share-display display="1561552678" force="true"]
aaliancaenvolveduaspartes
aaliancaenvolveduaspartes

Gn.15:8-11

Ouvindo Abraão que seu sobrinho Ló fora leva-do cativo com sua família e bens, imediata-mente reuniu trezentos e dezoito homens dos mais capazes, “nascidos em sua casa” (Gn.14:14), perseguiu e alcançou os quatro reis aliados. Salvou Ló e toda a sua família, recuperou seus bens e ainda libertou os cinco reis que estavam também prisioneiros.

Após tamanha façanha, Abraão temeu algum tipo de revanche por parte de outros povos daquela região, provavelmente por acharem que ele quisesse impor seu próprio reinado. Mas, em uma visão, lhe veio a Palavra do Senhor, dizendo: “Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande” (Gn.15:1).

O conforto divino foi extraordinário para Abraão naqueles momentos. Mesmo assim, ele se sentia aflito por não ter herdeiro. E pela primeira vez, desde o dia de sua chamada, Abraão ousou se dirigir ao Senhor em tom de reclamação. Até aqui ele só ouvia Deus falar, mas diante do aperto da alma, desabafou: “Senhor Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer?” (Gn.15:2).

Até este momento, Abraão tinha ouvido muitas promessas de Deus, mas nenhum sinal concreto delas; e Ele sabia disso. Ele também sabia que Abraão queria mais do que palavras. Sim, ele queria mesmo um sinal de que tomaria posse daquela terra!

Ao pedir Abraão um sinal de como tomaria pos-se de Canaã, o Senhor respondeu: “Toma-me uma novilha, uma cabra e um cordeiro, cada qual de três anos, uma rola e um pombinho. Ele, tomando todos estes animais, partiu-os pelo meio e lhes pôs em ordem as metades, umas defronte das outras; e não partiu as aves (…) e eis um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo que passou entre aqueles pedaços. Naquele mesmo dia, fez o Senhor aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência dei esta terra…” (Gn.15:9-18).

Esta passagem mostra dois pontos de suma importância para a nossa fé hoje:

1) A forma tradicional de aliança daquela época

Naqueles tempos, o pacto entre duas pessoas era selado da seguinte maneira: sacrificava-se um determinado animal, sendo este dividido em duas partes. Colocava-se as partes uma defronte da outra, de forma a deixar um caminho para se passar. Cada banda do animal representava uma das partes na aliança. Em seguida, as duas pessoas passavam por entre as bandas do animal. Ao fazê-lo, cada uma afirmava, diante da outra, que se não cumprisse a sua palavra naquela aliança, a outra pessoa teria o direito de fazer com ela o mesmo feito ao animal.

Abraão preparou o sacrifício para Deus passar. Poderia Deus fazer aliança com Abraão se este não preparasse o sacrifício? Não. Quem quiser entrar em aliança com Deus tem que satisfazer as Suas regras, isto é, fazer o seu sacrifício.

Mas alguém dirá: o Senhor Jesus já fez o sacrifício! Claro! Mas isso não significa que cada um de nós não deva fazer o seu! Ele mesmo disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt.16:24; Mc.8:34; Lc.9:23). O que é negar-se a si mesmo, senão um sacrifício?

Deus é Espírito, mas teve de Se materializar para mostrar o sinal para Abraão. Somente depois deste ter apresentado seu sacrifício é que o Senhor desceu em forma de fogareiro fumegante e uma tocha de fogo.

Sempre que a pessoa apresenta seu sacrifício a Deus, há uma resposta Sua para ela, em forma de fogo espiritual.

2) Deus passou sozinho por entre as partes do sacrifício

Realmente, a aliança realizada foi feita apenas por Deus com Abraão, e não entre Deus e Abraão. Mais tarde, de posse do seu tão desejado filho, foi a sua vez de “passar por entre o sacrifício” e cumprir o ritual da cerimônia de aliança com Deus, pois o que tinha Abraão a perder naquela altura, quando Deus passou sozinho entre as partes?

Portanto, podemos dizer que a aliança entre Deus e Abraão se deu em duas etapas, a primeira quando o Senhor passou sozinho entre as partes dos animais sacrificados, e a segunda quando Abraão ofereceu Isaque no Monte Moriá.

“Naquele mesmo dia…” o Senhor fez aliança com Abraão, ou seja, naquele mesmo dia Ele confirmou Sua promessa no coração de Abraão. Naquele mesmo dia, portanto, Abraão tomou posse, no coração, daquela terra.

É como se pudéssemos dizer que ele “ficou grávido” da promessa, não só da terra, mas também do filho almejado, pois quando o Senhor disse “À tua descendência dei esta terra…” (Gn.15:18), estava deixando claro que filhos seriam gerados de Abraão e iriam possuir aquela terra.

A sua descendência partiu primeiramente de Isaque e Ismael; em seguida vieram outros filhos com o novo casamento (Gn.25:1), tendo em vista a morte de Sara. De Ismael e dos demais filhos, de outros casa-mentos, nasceu a nação árabe; de Isaque nasceu a nação de Israel. Ambos são os donos de todo o Oriente Médio, cumprindo-se assim a promessa de Deus a Abraão: “Porque toda essa terra que vês. eu ta darei, a ti, e à tua descen-dência, para sempre” (Gn.13:15).

2 1 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Veja outros

Agenda da Semana
Send this to a friend